História
da Obra O Abaporu
O manifesto Antropofágico, (1928)
propunha basicamente a devoração da cultura e das técnicas importadas e sua
reelaboração com autonomia, transformando o produto importado em exportável. A ideia do manifesto surgiu
quando Tarsila do Amaral,
para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de
aniversário a tela Abaporu, palavra indígena que significa "homem que
come carne humana", no sentido de que eles iriam "comer" as
técnicas estrangeiras para digeri-las em obras que fossem principalmente
brasileiras. O quadro impressionou tanto
Oswald que serviu como norte para o Movimento Antropofágico, nome dado a
segunda fase de Tarsila, que “deglutiu” ainda mais radicalmente referências
culturais estrangeiras em um ambiente brasileiro.
"Uma figura solitária, monstruosa,
pés imensos, sentada numa planície verde, o braço dobrado num joelho, a mão
sustentando a peso-pena da ‘cabecinha-minúscula’. Em frente, ‘um cacto
explodindo numa flor absurda’. Uma de suas amigas diz que suas pinturas
antropofágicas lembravam-lhe pesadelos, Tarsila então identifica a origem de
sua pintura desta fase: “Só então compreendi eu mesma que havia realizado
imagens subconscientes, sugeridas por histórias que ouvira quando em criança, contadas
na hora de dormir pelas velhas negras da fazendo. Segui apenas numa inspiração,
sem nunca prever os seus resultados.” Aquela
figura monstruosa, de pés enormes, plantados no chão brasileiro ao lado de um
cacto, sugeriu a Oswald de Andrade a ideia da terra, do homem nativo, selvagem,
antropófago... (AMARAL, Aracy apud AZEVEDO)"
Tarsila valorizou o trabalho braçal
(corpo grande) e desvalorizou o trabalho mental (cabeça pequena) na
obra, pois era o trabalho braçal que tinha maior impacto na época. Além de apresentar alguns traços surrealistas
e evidenciar a preocupação de Tarsila com a estilização do desenho, a obra traz
fortes características brasileiras, como as cores da bandeira nacional
(verde, amarelo e azul). O pé grande da figura representa a intensa
ligação do homem com a terra. Nesse momento eles buscavam digerir influências
estrangeiras, que eram comuns à época, para que a arte feita por eles tivesse
feição mais brasileira.
Abaporu pertence ao empresário argentino
Eduardo Costantini. Foi comprada por ele em 1995, por US$ 1,43 milhão em leilão
em Nova York. A obra voltou recentemente ao Brasil, para ser o destaque da
exposição "Mulheres, Artistas e Brasileiras", inaugurada no Palácio
do Planalto, em Brasília. Mas costuma ficar em exposição permanente no Museu de
Arte Latino-americana de Buenos Aires (Malba), inaugurado em Buenos Aires em
2001 e que apresenta o acervo do empresário.
Fonte: Trecho de A TESSITURA DA
TEXTUALIDADE EM “ABAPORU” Nádia Régia Neckel - Doutoranda Universidade de Campinas
(UNICAMP ; Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Arte e Educação da
Universidade do Contestado (UnC) ).
Exercício
- resposta no caderno para visto.
1. Tarsila do Amaral trouxe a público, em 1928, a obra o
Abaporu, que passou a ser representativa do Manifesto Antropofágico. O que representa esse manifesto?
2. Complete: Esse
quadro motivou o surgimento de uma importante corrente do Modernismo
brasileiro, denominada.......
3. O que significa
ABAPORU?
4. Analise a imagem
Abaporu de acordo com a descrição da autora. Ex. Cabeça pequena significa... etc...
5.”Precisamos expulsar
de nossas mentes nossos monstros, nossos medos, nossos fantasmas. “ Carlos Drummond de Andrade. Descreva o
sentido inicial da obra a partir da observação de sua amiga.







