domingo, 11 de dezembro de 2016

O Abaporu de Tarsila do Amaral

História da Obra O Abaporu
O manifesto Antropofágico, (1928) propunha basicamente a devoração da cultura e das técnicas importadas e sua reelaboração com autonomia, transformando o produto importado em exportável. A ideia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu, palavra indígena que significa "homem que come carne humana", no sentido de que eles iriam "comer" as técnicas estrangeiras para digeri-las em obras que fossem principalmente brasileiras.  O quadro impressionou tanto Oswald que serviu como norte para o Movimento Antropofágico, nome dado a segunda fase de Tarsila, que “deglutiu” ainda mais radicalmente referências culturais estrangeiras em um ambiente brasileiro.  
"Uma figura solitária, monstruosa, pés imensos, sentada numa planície verde, o braço dobrado num joelho, a mão sustentando a peso-pena da ‘cabecinha-minúscula’. Em frente, ‘um cacto explodindo numa flor absurda’. Uma de suas amigas diz que suas pinturas antropofágicas lembravam-lhe pesadelos, Tarsila então identifica a origem de sua pintura desta fase: “Só então compreendi eu mesma que havia realizado imagens subconscientes, sugeridas por histórias que ouvira quando em criança, contadas na hora de dormir pelas velhas negras da fazendo. Segui apenas numa inspiração, sem nunca prever os seus resultados.”  Aquela figura monstruosa, de pés enormes, plantados no chão brasileiro ao lado de um cacto, sugeriu a Oswald de Andrade a ideia da terra, do homem nativo, selvagem, antropófago... (AMARAL, Aracy apud AZEVEDO)"
Tarsila valorizou o trabalho braçal (corpo grande) e desvalorizou o trabalho mental (cabeça pequena) na obra, pois era o trabalho braçal que tinha maior impacto na época.  Além de apresentar alguns traços surrealistas e evidenciar a preocupação de Tarsila com a estilização do desenho, a obra traz fortes características brasileiras, como as cores da bandeira nacional (verde, amarelo e azul). O pé grande da figura representa a intensa ligação do homem com a terra. Nesse momento eles buscavam digerir influências estrangeiras, que eram comuns à época, para que a arte feita por eles tivesse feição mais brasileira.
Abaporu pertence ao empresário argentino Eduardo Costantini. Foi comprada por ele em 1995, por US$ 1,43 milhão em leilão em Nova York. A obra voltou recentemente ao Brasil, para ser o destaque da exposição "Mulheres, Artistas e Brasileiras", inaugurada no Palácio do Planalto, em Brasília. Mas costuma ficar em exposição permanente no Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (Malba), inaugurado em Buenos Aires em 2001 e que apresenta o acervo do empresário.

Fonte: Trecho de A TESSITURA DA TEXTUALIDADE EM “ABAPORU” Nádia Régia Neckel - Doutoranda Universidade de Campinas (UNICAMP ; Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Arte e Educação da Universidade do Contestado (UnC) ).

Exercício  - resposta no caderno para visto.
1. Tarsila do Amaral trouxe a público, em 1928, a obra o Abaporu, que passou a ser representativa do Manifesto Antropofágico. O que representa esse manifesto?

2. Complete: Esse quadro motivou o surgimento de uma importante corrente do Modernismo brasileiro, denominada.......

3. O que significa ABAPORU?

4. Analise a imagem Abaporu de acordo com a descrição da autora. Ex. Cabeça pequena significa... etc...


5.”Precisamos expulsar de nossas mentes nossos monstros, nossos medos, nossos fantasmas. “  Carlos Drummond de Andrade. Descreva o sentido inicial da obra a partir da observação de sua amiga. 

Plano de aula – 6º. Ano – Dia 09 de agosto de 22

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